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Samsung corta em 20% a produção de celulares Galaxy A por causa da alta da memória

Redução no último trimestre equivale a cerca de 10 milhões de aparelhos a menos em 2026. Linha mais vendida da marca no Brasil já teve reajustes de até 50%.

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Celular Samsung Galaxy A54 5G
メイド理世 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Samsung vai fabricar cerca de 20% menos celulares da linha Galaxy A entre outubro e dezembro do que tinha planejado no início do ano. A informação foi publicada pela imprensa da Coreia do Sul e, segundo o GSMArena, os fornecedores da marca já receberam pedidos de componentes menores para o trimestre. Na conta do ano inteiro, o corte equivale a uma redução de cerca de 10 milhões de aparelhos, e fontes do setor dizem que a produção da linha em 2027 também deve cair pelo menos 10%.

O motivo é o preço da memória. Com a corrida da inteligência artificial, fabricantes de chips passaram a priorizar servidores e data centers, e a memória RAM e o armazenamento dos celulares ficaram muito mais caros. De acordo com o Tecnoblog, em alguns modelos de entrada a memória já responde por mais da metade do custo de fabricação. Placas de circuito e capacitores cerâmicos (MLCCs) também estão mais disputados. A Samsung, que fabrica as próprias memórias, prefere usar os componentes disponíveis nos Galaxy S e nos dobráveis Galaxy Z, que dão mais lucro.

A linha Galaxy A, que inclui modelos como Galaxy A07, A17, A37 e A57, representa cerca de 70% dos celulares que a Samsung vende no mundo, e a marca despacha entre 230 e 240 milhões de aparelhos por ano. O Canaltech lembra que a redução atinge justamente a família mais importante da empresa em volume e que a medida, por enquanto, não significa o fim de nenhum modelo, apenas menos unidades produzidas.

Samsung Galaxy A54 5G em exposição em loja
Captainmorlypogi1959 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No Brasil, a pressão nos preços já aparece. O Tecnoblog mostra que o Galaxy A07 4G de 256 GB passou de R$ 1.099, em setembro de 2025, para R$ 2.299 na loja oficial da Samsung, e outras versões da linha A tiveram aumentos de até 50%. Mesmo assim, três dos cinco celulares mais vendidos do país são da linha. Como o portal mostrou na reportagem sobre a queda nas vendas de PCs, a mesma crise da memória já atinge computadores.

Para as lojas de celulares da Santa Ifigênia, o cenário pede atenção ao estoque dos modelos intermediários mais procurados no fim do ano, que podem ficar mais escassos e mais caros na reposição. Fontes da indústria ouvidas pela imprensa coreana também alertam que as próximas gerações de aparelhos baratos podem chegar com tela e câmera mais simples e preço maior. Consultorias apontam que isso tende a favorecer a procura por topos de linha de gerações anteriores e por aparelhos seminovos, segmento forte no comércio do bairro.

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