O dólar à vista confirmou nesta segunda-feira (26) a disparada que o mercado futuro já indicava desde a noite de domingo. No primeiro pregão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a moeda americana chegou a subir mais de 12% pela manhã e bateu R$ 5,60, a maior cotação desde julho do ano passado, segundo o Valor Investe. Na sexta-feira (23), o dólar tinha fechado a R$ 4,989.
Ao longo da tarde a alta perdeu um pouco de força. Por volta das 16h, a moeda avançava cerca de 8,3%, a R$ 5,41. A cotação oficial do Banco Central, a Ptax, que serve de referência para contratos e conversões cambiais, fechou a R$ 5,50 na venda, alta de pouco mais de 9% em relação à sexta. Na bolsa, o tombo foi ainda maior: a B3 precisou acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe os negócios quando o Ibovespa cai 10%, e o índice chegou a recuar mais de 17% na mínima do dia, de acordo com a Folha de S.Paulo.
O Banco Central entrou no mercado no fim da manhã. Segundo a Folha, a autoridade monetária vendeu todos os 75 mil contratos de swap cambial que tinha oferecido em um leilão já programado, o que equivale a US$ 3,75 bilhões, e a operação ajudou a frear a alta. O chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, disse ser muito cedo para prever o efeito da disparada e lembrou que parte da desvalorização do real pode ser devolvida nos próximos dias. Um levantamento citado pela Forbes Brasil mostra que oito das dez maiores altas diárias da Ptax desde o Plano Real aconteceram nas crises de 1999 e 2008.

Para quem vende eletrônicos, informática e componentes na Santa Ifigênia, a diferença entre o susto de domingo e o fechamento desta segunda importa. Como o portal mostrou na reportagem sobre o mercado futuro, boa parte do estoque do bairro tem preço de distribuidor atrelado ao dólar, e um câmbio na casa dos R$ 5,40 a R$ 5,50 representa um aumento de custo de cerca de 8% a 10% na reposição em relação à semana passada.
Ainda não dá para saber se esse patamar vai se manter. Analistas ouvidos pelo Valor Investe dizem que a volatilidade deve continuar até que o governo dê sinais sobre a política fiscal do novo mandato, e que um real mais fraco tende a pressionar o preço de produtos importados e de combustíveis. Com a Black Friday marcada para 27 de novembro, o comportamento do câmbio nas próximas semanas deve pesar nas negociações com fornecedores e na montagem das ofertas.




