A alta das memórias está esvaziando o mercado mundial de computadores. Dados preliminares divulgados pela Counterpoint Research na quinta-feira (22) mostram que os fabricantes enviaram 57 milhões de PCs ao varejo e às empresas entre julho e setembro de 2026, 21% a menos que no mesmo período do ano passado e 13,8% abaixo do segundo trimestre. Para o último trimestre do ano, a consultoria projeta um recuo ainda maior, de 27%, e prevê que 2027 termine praticamente estável em relação a 2026, ou seja, sem recuperação do volume perdido.
Segundo a Counterpoint, o motivo central é o custo dos componentes. Memória RAM, SSDs e até processadores ficaram mais caros, o que empurrou para cima o preço final dos notebooks e desktops e fez o consumidor adiar a troca do equipamento. As compras corporativas, puxadas pela renovação de parques de máquinas e pela migração de sistema operacional, seguraram parte da demanda, mas não o suficiente. A base de comparação também pesa: no terceiro trimestre de 2025 houve uma corrida às compras antes do fim do suporte ao Windows 10. Como observou o The Verge, até o segundo trimestre de 2026 as remessas vinham crescendo havia mais de dois anos seguidos.
Nenhuma das grandes marcas escapou. A Lenovo segue na liderança, com 15 milhões de unidades e 26,3% do mercado, mas encolheu 23%. A HP teve a maior queda entre as seis maiores, de 31%, e a Dell recuou 25%. A Apple caiu 11% e ganhou participação, ajudada pelo MacBook Neo, enquanto a ASUS teve a menor perda entre as cinco primeiras, de 7%. Os números da Counterpoint confirmam os levantamentos divulgados no início do mês pela IDC e pela Omdia, que já apontavam queda em torno de 20%, como registrou o Diário TI.
A pressão também chegou às placas de vídeo. De acordo com o TechPowerUp, o preço de atacado da GeForce RTX 5080 de 16 GB na China subiu cerca de 2.000 yuans (aproximadamente US$ 300) nesta semana, e a RTX 5070 Ti ficou cerca de US$ 100 mais cara. ASUS e Gigabyte teriam aplicado reajustes a vários modelos da linha RTX 50, atribuídos à oferta restrita de memória GDDR7, enquanto os fabricantes de memória priorizam chips para servidores de inteligência artificial. O site lembra que esse tipo de aumento costuma aparecer primeiro no mercado chinês e depois se espalhar para outros países.
Os dados são globais e não trazem recorte do Brasil, onde o preço final depende ainda do dólar, dos impostos de importação e dos estoques locais. Para as lojas de informática da Santa Ifigênia, o recado é de cautela na reposição: fabricantes estão priorizando configurações mais caras e reduzindo opções de entrada, e o mesmo aperto já derrubou as vendas de celulares. Em contrapartida, consumidores que adiam a compra de máquinas novas tendem a procurar upgrades de memória e SSD, formatação e conserto, serviços tradicionais da região.
