Justiça entrega ao Estado prédio usado pelo PCC para exploração sexual perto da Rua General Osório

Edifício histórico na Alameda Barão de Limeira, no centro de São Paulo (imagem ilustrativa, não é o Edifício Itatiaia)
ExAstra / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Edifício Itatiaia, na Alameda Barão de Limeira, passa ao Estado; síndico, porteiros e dono de bar foram condenados a 12 anos em desdobramento da operação que mirou a Cracolândia.

Operação policial na região da Cracolândia, no centro de São Paulo (imagem de arquivo, 2017)
Alexandre Carvalho/A2img / Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Justiça de São Paulo mandou transferir para o Estado um prédio residencial da Alameda Barão de Limeira, a poucos metros da Rua General Osório, que segundo o Ministério Público funcionava como ponto de exploração sexual e de apoio ao tráfico de drogas de uma rede ligada ao PCC. A sentença, de 9 de outubro, foi divulgada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e detalhada nesta quarta-feira em reportagem do Estadão.

Conhecido na vizinhança como Amarelinho, o Edifício Itatiaia tem nove andares, 19 apartamentos e duas lojas no térreo e foi construído em 1946. Além do perdimento do imóvel, a decisão condenou quatro homens a 12 anos de prisão cada um por organização criminosa, tráfico de drogas e manutenção de estabelecimento para exploração sexual. Entre eles estão o síndico, dois porteiros e o responsável por um bar que funcionava no térreo. As defesas não foram localizadas pela reportagem.

De acordo com a sentença, citada pelo MP, a exploração sexual não era episódica, mas fazia parte da rotina do prédio, que também servia para guardar e distribuir drogas. Para os investigadores, o endereço funcionava como uma espécie de entreposto que abastecia pontos de venda no Centro, inclusive a antiga Cracolândia. Na operação, a polícia apreendeu drogas, balanças de precisão, dinheiro, máquinas de cartão e cadernos com anotações sobre as mulheres que trabalhavam no local.

O caso é um desdobramento da Operação Salus et Dignitas, deflagrada pelo Gaeco em agosto de 2024 com mais de mil agentes para desmontar o que a Promotoria chamou de ecossistema criminoso em torno da Cracolândia. Na época, como noticiou o Metrópoles, o MP já apontava que a facção dominava prédios usados para prostituição na região. A ofensiva também levou ao sequestro de hotéis, cortiços, estacionamentos, ferros-velhos e lojas e é apontada como peça central para o esvaziamento da Cracolândia no ano passado.

O futuro do imóvel ainda depende de outro processo. No fim do ano passado, o governo estadual declarou o edifício de interesse social para que a CDHU, a companhia de habitação do Estado, faça a desapropriação. As unidades estão ligadas a 21 proprietários, que não foram encontrados pelo Estadão.

Para quem trabalha na Santa Ifigênia e no polo de autopeças da General Osório, a decisão é mais um capítulo da tentativa de retomar quarteirões que por anos ficaram marcados pelo tráfico. Vizinhos ouvidos pelo jornal disseram que o prédio era conhecido como ponto de prostituição havia décadas. A segurança na região também tem sido alvo de outras ações, como a nova ofensiva do batalhão de motos da PM no Centro.

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Fontes

Notícias da Santa Ifigênia