A Justiça de São Paulo mandou transferir para o Estado um prédio residencial da Alameda Barão de Limeira, a poucos metros da Rua General Osório, que segundo o Ministério Público funcionava como ponto de exploração sexual e de apoio ao tráfico de drogas de uma rede ligada ao PCC. A sentença, de 9 de outubro, foi divulgada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo e detalhada nesta quarta-feira em reportagem do Estadão.
Conhecido na vizinhança como Amarelinho, o Edifício Itatiaia tem nove andares, 19 apartamentos e duas lojas no térreo e foi construído em 1946. Além do perdimento do imóvel, a decisão condenou quatro homens a 12 anos de prisão cada um por organização criminosa, tráfico de drogas e manutenção de estabelecimento para exploração sexual. Entre eles estão o síndico, dois porteiros e o responsável por um bar que funcionava no térreo. As defesas não foram localizadas pela reportagem.
De acordo com a sentença, citada pelo MP, a exploração sexual não era episódica, mas fazia parte da rotina do prédio, que também servia para guardar e distribuir drogas. Para os investigadores, o endereço funcionava como uma espécie de entreposto que abastecia pontos de venda no Centro, inclusive a antiga Cracolândia. Na operação, a polícia apreendeu drogas, balanças de precisão, dinheiro, máquinas de cartão e cadernos com anotações sobre as mulheres que trabalhavam no local.
O caso é um desdobramento da Operação Salus et Dignitas, deflagrada pelo Gaeco em agosto de 2024 com mais de mil agentes para desmontar o que a Promotoria chamou de ecossistema criminoso em torno da Cracolândia. Na época, como noticiou o Metrópoles, o MP já apontava que a facção dominava prédios usados para prostituição na região. A ofensiva também levou ao sequestro de hotéis, cortiços, estacionamentos, ferros-velhos e lojas e é apontada como peça central para o esvaziamento da Cracolândia no ano passado.
O futuro do imóvel ainda depende de outro processo. No fim do ano passado, o governo estadual declarou o edifício de interesse social para que a CDHU, a companhia de habitação do Estado, faça a desapropriação. As unidades estão ligadas a 21 proprietários, que não foram encontrados pelo Estadão.
Para quem trabalha na Santa Ifigênia e no polo de autopeças da General Osório, a decisão é mais um capítulo da tentativa de retomar quarteirões que por anos ficaram marcados pelo tráfico. Vizinhos ouvidos pelo jornal disseram que o prédio era conhecido como ponto de prostituição havia décadas. A segurança na região também tem sido alvo de outras ações, como a nova ofensiva do batalhão de motos da PM no Centro.

