PF mira rede que trazia iPhones do Paraguai e movimentou R$ 460 milhões no interior de SP

Centro comercial de Ciudad del Este, no Paraguai (imagem de arquivo)
Va de Carro / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Operação Dux cumpriu 36 mandados em Rio Preto, Catanduva, Olímpia, Severínia e Franca. Grupo buscava celulares no Paraguai, vendia em lojas, redes sociais e WhatsApp e usava laranjas para esconder patrimônio, diz a PF.

Ponte da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este (imagem de arquivo)
Rodrigo Yoshioka / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (20) a Operação Dux contra uma rede clandestina de importação de eletrônicos, principalmente celulares, que movimentou mais de R$ 460 milhões, segundo a própria PF. Foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão em São José do Rio Preto, Catanduva, Olímpia, Severínia e Franca, no interior paulista, por ordem da 1ª Vara Federal de Rio Preto. A Justiça também determinou a indisponibilidade de bens e valores dos investigados, medidas cautelares e a suspensão de perfis em redes sociais usados para vender os aparelhos. De acordo com o g1, cerca de 130 policiais federais participaram da ação.

Segundo a PF, o grupo usava empresas e pessoas sem capacidade econômica compatível com as operações para movimentar dinheiro sem lastro e esconder o patrimônio dos verdadeiros donos. O Diário da Região, de Rio Preto, ouviu o delegado Marcos Morini, responsável pelo inquérito. De acordo com ele, o casal apontado como líder atua nesse mercado há mais de dez anos e passou de transportador a fornecedor de eletrônicos para revendedores. Os produtos eram buscados no Paraguai por motoristas contratados e levados em compartimentos escondidos nos veículos até Rio Preto, de onde eram distribuídos. A PF registrou apreensões de cargas com dezenas e até centenas de iPhones, e os motoristas mantinham um grupo de WhatsApp chamado "Sindicato dos Freteiros" para discutir o valor das viagens.

A venda, ainda segundo o jornal, acontecia em lojas físicas, pelas redes sociais e pelo WhatsApp, para várias regiões do país, e alguns suspeitos usavam casas em condomínios de alto padrão como pontos de venda e retirada, o que dificultava a fiscalização. Um dos investigados teria movimentado quase R$ 100 milhões, mas declarado cerca de R$ 50 mil à Receita Federal. O delegado disse que foram pedidos bloqueios de quase R$ 400 milhões. A investigação começou em 2024, a partir de pequenas apreensões de eletrônicos feitas pela PF, pela Polícia Rodoviária Federal e pela Polícia Militar.

Três pessoas foram presas em flagrante: duas por medicamentos estrangeiros sem comprovação de importação regular e anabolizantes, e uma por posse ilegal de arma e droga. São 17 investigados, e oito deles, incluindo o casal, que não foi localizado, terão de usar tornozeleira eletrônica, medida que busca impedir que deixem a região e voltem à fronteira. O g1 informou que 28 veículos foram apreendidos numa garagem. Segundo o Diário da Região, um policial civil também é investigado por buscar eletrônicos no Paraguai para revender em Mirassol e Rio Preto; de acordo com o delegado, ele não fazia parte da estrutura principal, e o caso é acompanhado pela Corregedoria. Os suspeitos podem responder por contrabando e descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Para o lojista regularizado, o caso mostra o tamanho da concorrência que vende celular sem imposto pelas redes sociais e pelo WhatsApp. A PF disse que quer identificar agora os fornecedores que abasteciam o grupo, e quem compra mercadoria estrangeira sem nota ou sem comprovar a importação corre o risco de ter o estoque apreendido. O portal já tratou de uma operação parecida na Paraíba e de uma decisão sobre perdimento de mercadoria e o Simples Nacional.

Este texto foi produzido com apoio de automação e revisão de qualidade. Não substitui comunicado oficial.

Fontes

Notícias da Santa Ifigênia