Compras internacionais de até US$ 50 crescem 82% após fim da taxa das blusinhas

Caminhão de entregas dos Correios (imagem ilustrativa)
Moacir Ximenes / Wikimedia Commons (domínio público)

Relatório do BTG com dados da Receita aponta 25,2 milhões de encomendas em setembro, que somaram R$ 2,37 bilhões. Concorrência das plataformas estrangeiras pesa sobre o varejo físico.

Agência dos Correios (imagem ilustrativa)
Joelkaula / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

As encomendas internacionais de até US$ 50 cresceram 82% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo relatório do BTG Pactual baseado em números da Receita Federal e divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Mercado&Consumo. Foram 25,2 milhões de pacotes no mês, que somaram R$ 2,37 bilhões, valor 87% maior que um ano antes. Em relação a abril, último mês completo com a cobrança federal, o número de encomendas subiu 61% e o valor, 62%.

O relatório mensal do Programa Remessa Conforme, publicado pela Receita, mostra a dimensão do fluxo. Em setembro chegaram ao país cerca de 26,9 milhões de remessas internacionais. Dessas, 25,2 milhões de declarações foram registradas por plataformas certificadas no programa, com valor aduaneiro de aproximadamente R$ 2,37 bilhões.

A alta acompanha o fim do Imposto de Importação de 20% sobre compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas, a chamada taxa das blusinhas, cobrada desde agosto de 2024. A alíquota foi zerada em 12 de maio por medida provisória, e a mudança virou a Lei 15.502, sancionada em 10 de setembro, conforme a Agência Senado. O ICMS estadual, de 17% a 20% conforme o estado, continua sendo cobrado. O texto da lei também permite que o governo fixe limites de quantidade e frequência e crie regras para impedir o fracionamento de pacotes e o uso do regime para revenda.

Para os analistas do BTG, o salto não foi pontual: as compras ficaram em patamar elevado por quatro meses seguidos. O banco cita que a diferença de preço da Shein em relação aos varejistas brasileiros listados em Bolsa chegou a 44% em agosto, contra 34% em junho. Segundo o relatório, a disputa com Shein, Shopee e AliExpress segue intensa em vestuário e em outras categorias de compra não essencial, embora as redes nacionais estejam hoje mais preparadas para competir do que em anos anteriores.

Na Santa Ifigênia, muitos itens de giro rápido, como cabos, carregadores, fones, capinhas, fitas de LED e pequenas peças, custam menos que o equivalente a US$ 50, pouco mais de R$ 250 pelo câmbio atual. É justamente a faixa em que o consumidor pode comprar do exterior sem imposto federal. Pronta entrega, teste na hora, troca rápida, garantia e nota fiscal continuam sendo os argumentos que o site estrangeiro não oferece. Para quem também vende pela internet, vale comparar o preço final com frete e ICMS, que é o valor que o cliente realmente vê na tela.

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Fontes

Notícias da Santa Ifigênia